O dólar voltou a cair nesta terça-feira (4), alcançando R$ 5,767 às 12h20, após registrar 11 recuos consecutivos. Essa desvalorização se explica, em parte, pelo recuo estratégico de Donald Trump, que adiou a imposição de tarifas contra Canadá e México. No entanto, o mercado continua cauteloso, já que a disputa comercial entre Estados Unidos e China se intensificou com novas medidas protecionistas.
China eleva tarifas em resposta aos EUA
O governo chinês, em represália às tarifas de Trump, anunciou que aplicará taxas adicionais de 15% sobre carvão e gás natural, além de 10% sobre petróleo e maquinário agrícola. Assim, Pequim deixa claro que não recuará diante das sanções comerciais impostas por Washington. Esse aumento tarifário entrará em vigor na próxima semana, o que deverá aumentar ainda mais a volatilidade dos mercados globais.
Enquanto isso, Trump recuou em relação às tarifas de 25% sobre produtos do Canadá e México, após negociações diretas com os líderes desses países. Esse adiamento de um mês trouxe um leve alívio para o comércio norte-americano, mas as tensões com a China seguem como o principal fator de preocupação.
Ibovespa sente impacto e registra queda
Os desdobramentos da guerra comercial também refletiram negativamente no Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira. Por volta das 11h30, o indicador caiu 0,92%, marcando 124,8 mil pontos. No dia anterior, o índice já havia recuado 0,13%. Ainda assim, a Bolsa acumula ganhos de 4,73% em 2025, demonstrando que o mercado resiste a grandes perdas, apesar das incertezas.
A inflação alta pressiona a política monetária brasileira
Paralelamente, o Banco Central (BC) elevou a taxa Selic de 12,25% para 13,25% ao ano, conforme decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom). Essa medida procura frear o avanço da inflação, que continua pressionada pelo aumento nos preços de alimentos, especialmente carnes, impactados pela seca prolongada.
Além disso, o BC destacou a necessidade de políticas fiscais e monetárias harmônicas para conter os impactos inflacionários. Caso contrário, os riscos de descontrole da dívida pública podem elevar ainda mais os juros neutros, comprometendo o crescimento econômico no médio prazo. O relatório Focus já projeta que a Selic poderá atingir 15% até o final de 2025. Da mesma forma, o IPCA deve novamente ultrapassar o teto da meta, ficando em torno de 5,51% ao ano.
Perspectivas indicam cautela a longo prazo
Portanto, as tensões externas e a instabilidade interna exigem atenção redobrada por parte dos investidores. Especialistas acreditam que, enquanto as negociações comerciais entre EUA e China não avançarem, o mercado global permanecerá sob pressão. Da mesma forma, uma gestão fiscal responsável no Brasil poderá ajudar a amenizar os impactos das medidas restritivas adotadas pelo Banco Central.
Perguntas frequentes
A disputa entre as duas maiores economias do mundo afeta diretamente o preço de produtos importados e o custo de insumos essenciais, como combustíveis e alimentos. Por exemplo, o aumento das tarifas sobre o petróleo pode encarecer o preço da gasolina no Brasil, já que as oscilações globais impactam os valores praticados no mercado interno.
O Banco Central elevou a Selic para conter o avanço da inflação, que tem sido impulsionada, sobretudo, pelo aumento dos preços de alimentos básicos, como carnes, e pelas condições climáticas adversas, como a seca. Essa estratégia tenta desacelerar o consumo, tornando o crédito mais caro, o que reduz a pressão inflacionária. A medida, no entanto, também impacta investimentos e financiamento de empresas, afetando o crescimento econômico.
Caso a inflação continue alta, os preços seguirão em escalada, o que pode diminuir o poder de compra das famílias. Em resposta, o Banco Central poderá elevar ainda mais a taxa de juros, o que encarece o crédito e dificulta o financiamento de negócios.









