Cerco a estrangeiros nos EUA preocupa Governador Valadares (MG), capital da imigração

Em Governador Valadares, Minas Gerais, a população enfrenta dias de apreensão devido ao endurecimento das políticas migratórias nos Estados Unidos. Conhecida pela forte conexão com o país norte-americano, a cidade, situada a 300 quilômetros de Belo Horizonte, abriga muitas famílias que dependem de parentes residentes no exterior. Agora, com o aumento das deportações, essas famílias temem pelo futuro de seus entes queridos.

Parentes acompanham a situação com medo

Flávia Xavier, servidora pública, exemplifica bem esse cenário. Ela revela que seu irmão, que vive ilegalmente em Connecticut há 20 anos, se tornou alvo das atuais políticas. “Ele viajou em busca de um futuro melhor, constituiu família e sempre trabalhou honestamente. Agora, porém, ele é tratado como um criminoso”, desabafa. Além disso, o pai de Flávia, de 85 anos, sofre com a situação. Segundo ela, ele frequentemente se emociona ao ver notícias sobre ataques a imigrantes.

Geise Batalha, administradora, também descreve seu constante estado de alerta. Apesar de seu irmão, residente em Nova Iorque, estar com a situação em vias de regularização, ela não esconde a ansiedade. “Por mais que ele me tranquilize, eu fico aflita pelos amigos dele que ainda não conseguiram resolver sua permanência”, comenta. Em vista disso, Geise se mantém em contato diário, buscando notícias para se acalmar.

Deportações impactam famílias locais

O aumento das deportações de brasileiros agravou o clima de insegurança em Valadares, especialmente após o primeiro voo de repatriação em 2025. Aparecida de Jesus Alves, balconista, vive esse drama. Ela relata o medo de que suas duas irmãs, que estão em Massachusetts, sejam deportadas. “Confiamos em Deus e pedimos que, se precisarem voltar, seja sem traumas ou complicações”, afirma esperançosa.

Imigração mineira tem raízes profundas

De acordo com Sueli Siqueira, professora da Univale, o fenômeno migratório em Valadares começou na década de 1960. Naquela época, um grupo de jovens da elite local conseguiu vistos de trabalho e abriu as portas para outros imigrantes. Posteriormente, devido à crise econômica brasileira nos anos 1980, o fluxo aumentou, levando muitos a buscar rotas alternativas, como a travessia pelo México.

Hoje, comunidades de valadarenses prosperam em cidades como Danbury, Framingham e Somerville. Mulheres se destacam no setor de limpeza, enquanto homens empreendem na construção civil. Com o passar do tempo, pequenos negócios administrados por imigrantes passaram a financiar a ida de novos trabalhadores.

Futuro incerto, mas não sem esperança

Enquanto isso, Governador Valadares mantém os olhos voltados para as decisões do governo norte-americano. Com laços familiares e econômicos tão profundos, a cidade busca alternativas para proteger suas famílias. Apesar dos desafios, o apoio mútuo entre imigrantes e a fé na justiça continuam sendo fontes de esperança.

Perguntas frequentes

Por que Governador Valadares é conhecida como a “cidade exportadora de imigrantes”?

A emigração em massa começou na década de 1960, quando um grupo de jovens de famílias abastadas se mudou para os Estados Unidos com vistos de trabalho. Com o passar dos anos, essa rede de contatos se expandiu, especialmente após a crise econômica dos anos 1980.

Quais são as principais cidades dos EUA que concentram valadarenses?

Cidades como Danbury (Connecticut), Framingham e Somerville (Massachusetts) se tornaram grandes polos de imigrantes de Governador Valadares.

Como as famílias em Valadares lidam com o risco de deportação de parentes nos EUA?

O medo de deportações tem gerado grande apreensão. Muitas famílias mantêm contato constante com parentes no exterior, buscando notícias e atualizações sobre suas situações legais. Algumas, como relatado por Aparecida de Jesus Alves, se apegam à fé e esperam que, caso o retorno seja inevitável, ocorra de forma segura e sem complicações.

Lucas

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