A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta sexta-feira (13) a Operação Argos para desarticular um centro de treinamento de guerrilha mantido por uma facção criminosa em uma área indígena de Santo Antônio de Leverger, na região metropolitana de Cuiabá. Os policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão e apreenderam armas e munições.
A Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis conduziu a investigação após receber denúncias sobre tráfico de drogas na Aldeia Tereza Cristina (Korogedo Paru), localizada nas proximidades do Rio São Lourenço.
As informações indicaram que criminosos usavam uma residência isolada na região como base logística para tráfico e treinamento armado.
Investigação identifica rota de tráfico por rios e rodovia
As denúncias apontaram que um homem branco, conhecido como “Pescador”, recebia grandes carregamentos de drogas pelo Rio São Lourenço. Segundo os investigadores, o suspeito é casado com uma indígena e utilizava uma casa localizada em uma área mais afastada da aldeia para armazenar os entorpecentes.
Nesse mesmo local, outro suspeito identificado como “Corola” ou “Fininho” organizava a distribuição da droga para traficantes da cidade de Rondonópolis.
Os criminosos utilizavam duas rotas principais:
- Transporte fluvial, pelo Rio Vermelho, com embarcações;
- Transporte terrestre, pela rodovia MT-270.
Esse esquema permitia que a facção abastecesse diferentes pontos de venda de drogas na região sul de Mato Grosso.
Facção treinava integrantes para combate e fuga na mata
Durante as investigações, os policiais descobriram que os suspeitos também promoviam treinamentos de sobrevivência na selva e táticas de guerrilha para membros da facção criminosa.
Nos cursos, os instrutores — conhecidos pelos codinomes “01” e “02” — ensinavam técnicas como:
- montagem e desmontagem de armas;
- manutenção de armamentos;
- disparos em diferentes distâncias;
- deslocamento e sobrevivência na mata;
- estratégias de fuga após confrontos.
Os criminosos utilizavam armas de uso restrito, permitidas apenas para forças policiais e militares. Entre os armamentos identificados pela investigação estão:
- fuzis calibre .556 e .762;
- pistolas .40 e 9mm;
- metralhadora;
- arma calibre .30 com tripé.
Os investigadores apontam que a facção treinava seus integrantes para enfrentar forças de segurança ou grupos rivais.
Criminosos escondiam disparos para evitar suspeitas
A Polícia Civil identificou que o suspeito conhecido como “02” transportava os participantes do treinamento em um barco com motor.
O grupo seguia pelo Rio São Lourenço por alguns quilômetros até chegar a uma área de mata próxima às margens do Rio Vermelho, onde realizava os disparos.
Os criminosos escolheram essa estratégia para evitar que moradores da comunidade indígena ouvissem os tiros.
Durante a investigação, delegacias de várias cidades de Mato Grosso registraram relatos semelhantes. Integrantes de facções presos em diferentes municípios afirmaram que participaram de um curso de sobrevivência na selva e manutenção de armamento realizado em uma área indígena.
Esses depoimentos reforçaram as suspeitas e ajudaram a confirmar a existência do treinamento clandestino.
Polícia apreende armas e munições
Com base nas provas reunidas durante a investigação, o delegado Fábio Nahas solicitou à Justiça os mandados de busca e apreensão.
A Justiça autorizou a medida e os policiais cumpriram as ordens judiciais nesta sexta-feira (13).
Durante a operação, os agentes apreenderam:
- uma espingarda calibre .22;
- uma espingarda calibre .20 de dois canos;
- dezenas de munições de diversos calibres.
A Polícia Civil encaminhou o material apreendido para perícia.
A Operação Argos é uma ação policial que investiga e combate um esquema de tráfico de drogas e treinamento armado de uma facção criminosa em uma área indígena de Santo Antônio de Leverger.
Criminosos ensinavam membros da facção a usar armas, montar e desmontar armamentos, realizar disparos e sobreviver na mata para fugir após confrontos com rivais ou forças de segurança.
Os policiais apreenderam duas espingardas, uma calibre .22 e outra calibre .20, além de dezenas de munições de diferentes calibres durante o cumprimento dos mandados.



