Um policial militar fora de serviço baleou o cantor gospel João Igor dentro de um ônibus no Terminal Rodoviário da Barra Funda, em São Paulo, na tarde da última quarta-feira (30). A situação, que deveria seguir os protocolos mais básicos de segurança, rapidamente se transformou em um episódio violento, levantando dúvidas sobre a conduta de agentes em situações informais. O ônibus partiria rumo à cidade de Bauru, no interior paulista, quando tudo aconteceu.
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— Perrengue2 (@perrengue2025) August 1, 2025
Abordagem terminou em queda e disparos
De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, o agente, que embarcava como passageiro, suspeitou de que João Igor e seu irmão portavam maconha. Por isso, decidiu abordá-los ali mesmo, ainda dentro do ônibus. No entanto, a tentativa de contenção se transformou em um confronto físico, que resultou na queda dos três homens da escada do veículo. Logo em seguida, o policial sacou a arma e efetuou dois disparos. Ambos os tiros atingiram o cantor um no punho, outro no joelho.
Consequentemente, os passageiros se desesperaram, muitos saíram correndo do ônibus sem compreender de imediato o que havia ocorrido. A cena foi registrada em vídeos que circulam nas redes sociais, e revelam o clima de pânico no local.
Defesa nega envolvimento com drogas e contesta ação do policial
Em contrapartida à alegação do PM, a defesa de João Igor afirmou categoricamente que nem o cantor nem seu irmão portavam drogas ou qualquer material suspeito. A influenciadora Fernanda Ganzarolli, amiga próxima do cantor e também passageira do ônibus, acompanhou a vítima até o hospital e reforçou a versão da família. Conforme o boletim de ocorrência, a Polícia Civil classificou o caso como lesão corporal decorrente de intervenção policial, resistência e apreensão de objetos. Além disso, os investigadores solicitaram exames periciais e análise das imagens do local.
Enquanto isso, o estado de saúde de João Igor inspira cuidados, mas os médicos informaram que ele não corre risco de morte. Ainda assim, segue internado e sem previsão de alta.
Falta de protocolo e uso da força acendem alerta nacional
Em meio à comoção, especialistas em segurança pública alertaram para os riscos do porte de arma por policiais fora do expediente. A ausência de farda, de câmeras corporais e de apoio tático compromete a legitimidade dessas ações. Além disso, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 81% dos disparos efetuados por PMs em folga ocorrem sem qualquer registro por imagens, o que dificulta a responsabilização e amplia a desconfiança da população.
Portanto, o episódio envolvendo João Igor não se resume a um caso isolado, mas reflete falhas estruturais nas políticas de segurança. A falta de protocolos claros sobre como policiais devem agir fora do horário de serviço continua a gerar tragédias silenciosas e, sobretudo, evitáveis.
Perguntas frequentes
Sim, pois os passageiros não sabiam quem era o agente e entraram em pânico.
Possivelmente sim, já que a abordagem ocorreu sem reforço, sem apoio e sem provas visíveis.
Nenhuma. Sem câmeras e protocolos claros, o risco de abuso de autoridade permanece alto.



