Moradores e turistas registraram em vídeo a transformação drástica do Cânion do Jatobá, em Vila Bela da Santíssima Trindade, oeste de Mato Grosso. As imagens mostram o leito antes cristalino completamente seco. Onde a água corria entre as pedras, hoje as pessoas caminham a pé sobre o terreno rachado.
A gravação viralizou nas redes sociais e revelou a seca severa que castiga a região há três meses. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirma: a estiagem de 2025 se tornou uma das mais longas e intensas dos últimos dez anos. Em várias cidades mato-grossenses, a umidade do ar caiu para menos de 15%, patamar considerado perigoso para a saúde e devastador para o meio ambiente.
Estiagem natural ganha força com mudanças climáticas
O período seco normalmente ocorre entre julho e novembro, quando a transição entre os biomas Amazônia e Cerrado reduz o regime de chuvas. Mas, neste ano, o fenômeno ultrapassou os limites naturais.
Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) relacionam o atraso das chuvas ao aquecimento global, ao desmatamento e às queimadas. Esses fatores ampliam a evaporação, reduzem a umidade e enfraquecem os ciclos naturais das águas. O resultado é visível: rios secam, matas perdem vigor e ecossistemas colapsam.
Clima em alerta: rios secam em todo o estado
O colapso do Cânion do Jatobá representa apenas um sintoma da crise hídrica regional. Rios como o Guaporé, o Alegre e o Arinos também registram níveis muito abaixo da média histórica. Ambientalistas alertam para a morte de peixes, incêndios florestais e risco de desabastecimento nas comunidades rurais.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que o aquecimento global continue ampliando os períodos de seca no Centro-Oeste. O avanço das temperaturas altera os regimes de chuva e intensifica os verões, criando longos intervalos sem precipitação significativa.
Perguntas frequentes
A seca intensa e o atraso das chuvas, agravados pelas mudanças climáticas, reduziram drasticamente o volume de água no cânion.
O Inmet prevê o retorno gradual das chuvas a partir da segunda quinzena de outubro.
Sim. A falta de água afastou visitantes e reduziu em cerca de 40% o movimento no turismo ecológico da região.



