Pesquisadores flagraram camundongos ajudando companheiros desacordados, um comportamento que pode mudar a forma como entendemos o altruísmo no reino animal. O estudo, publicado na revista Science, revelou que esses pequenos roedores não apenas reconhecem quando outro está em perigo, mas também tomam medidas ativas para ajudá-lo. Dessa forma, a pesquisa sugere que o cuidado com o próximo pode ser mais comum entre os animais do que se imaginava.
Cam3nd0ng0s prestam primeiros soc0rr0s e revelam comportam3nto instintiv0 pic.twitter.com/stNvGmbGSZ
— perrenguematogrosso (@perrenguemt) February 25, 2025
Camundongos demonstram técnicas variadas de reanimação
Para entender melhor esse comportamento, os cientistas colocaram dois camundongos na mesma gaiola e sedaram um deles. Assim que percebeu a situação, o animal consciente agiu de maneira impressionante. Primeiro, tentou acordar o companheiro com patadas. Em seguida, recorreu a pequenas mordidas. Como essas táticas não funcionaram, ele passou para uma estratégia mais eficaz: puxou a língua do outro camundongo, desobstruindo suas vias aéreas e permitindo que respirasse novamente.
Além disso, os pesquisadores realizaram outro teste para observar como o camundongo reagiria diante de um obstáculo mais complexo. Eles inseriram uma pequena bolha de plástico na boca do animal desacordado. Notavelmente, o camundongo que prestava socorro conseguiu remover o objeto, garantindo a sobrevivência do colega.
Ocitocina desempenha papel essencial no comportamento de ajuda
Os cientistas monitoraram a atividade cerebral dos camundongos e descobriram que a ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, desempenha um papel fundamental nesse comportamento de socorro. Esse hormônio já é amplamente associado a laços afetivos e cuidado parental em diversas espécies, incluindo os humanos.
Outro ponto importante da pesquisa foi a constatação de que esses camundongos tinham apenas dois a três meses de idade e nunca haviam presenciado uma situação semelhante antes. Portanto, os cientistas concluíram que esse comportamento não é aprendido, mas sim instintivo.
Descoberta amplia perspectivas sobre a empatia animal
De modo geral, essa pesquisa desafia a visão tradicional de que apenas espécies altamente sociais, como primatas e golfinhos, demonstram empatia e preocupação com o bem-estar alheio. Pelo contrário, os resultados indicam que esses traços podem estar mais disseminados entre os animais do que se pensava anteriormente.
Além disso, essa descoberta pode contribuir para novas pesquisas sobre o funcionamento da ocitocina e sua influência nas relações sociais. Cientistas acreditam que esse conhecimento pode ter aplicações futuras no estudo de transtornos que afetam a empatia, como o autismo.
Por fim, o estudo reforça que o altruísmo não é uma característica exclusiva dos humanos e que o comportamento de ajuda mútua pode estar enraizado na biologia de diversas espécies. Assim, a pesquisa abre portas para novas investigações sobre os mecanismos que impulsionam a cooperação no reino animal.
Perguntas frequentes
Sim! Pesquisadores observaram que camundongos são capazes de prestar socorro a companheiros desacordados.
O comportamento de socorro parece ser instintivo e está ligado à ocitocina, o chamado “hormônio do amor”.
Sim! O estudo sobre camundongos pode fornecer insights importantes sobre o funcionamento da empatia e do comportamento de ajuda entre os seres humanos.







