A Justiça determinou, nesta terça-feira (27), o afastamento do vereador Chico 2000 (PL) por 60 dias das funções na Câmara Municipal de Cuiabá. O afastamento ocorre no âmbito da Operação Gorjeta, que investiga o uso ilícito de emendas parlamentares. Mesmo sem atuar no cargo, Chico continuará recebendo o salário de R$ 35.209,32, conforme registrado no Portal da Transparência.
A Procuradoria Legislativa confirmou a medida após a Polícia Civil cumprir mandado de busca e apreensão no gabinete do parlamentar. O procurador Eustáquio Neto explicou que a Justiça classificou o afastamento como cautelar, e não punitivo, o que garante a manutenção da remuneração com base em decisões anteriores.
“Recebemos a notificação oficial do afastamento de Chico 2000 por 60 dias. Dois servidores comissionados ligados a ele e a Mário Nadaf também foram suspensos de suas funções públicas. Seguiremos a decisão imediatamente”, afirmou o procurador.
Justiça impede acesso à Câmara e proíbe contato entre investigados
A decisão também impôs medidas cautelares aos seis investigados na operação. A Justiça proibiu que eles:
- entrem na Câmara de Cuiabá e na Secretaria Municipal de Esportes;
- deixem a Comarca de Cuiabá;
- entrem em contato entre si ou com testemunhas;
- e determinou a entrega dos passaportes.
A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) apura um esquema de desvio de emendas parlamentares, em que parte dos recursos retornava ao vereador responsável pela indicação da verba. A investigação identificou o uso de um instituto e uma empresa como intermediários no esquema.
Reincidência: Chico 2000 se torna alvo pela terceira vez
Chico 2000 já havia enfrentado dois afastamentos anteriores. Em abril de 2025, a Operação Perfídia o retirou da Câmara por quatro meses por suspeita de receber propina para votar projetos legislativos. Já em junho, a Operação Rescaldo, da Polícia Federal, o investigou por compra de votos. Na ocasião, os agentes realizaram buscas na casa do parlamentar e na residência de uma servidora vinculada a ele.
Lista de investigados na Operação Gorjeta:
- Chico 2000
- João Nery Chiroli
- Rubens Vuolo Júnior
- Joaci Conceição Silva
- Alex Jony Silva
- Magali Gayba Felismino Chiroli
Salário mantido com base no princípio da presunção de inocência
A Justiça garantiu o pagamento do salário durante o afastamento com base no entendimento de que não existe condenação definitiva contra o vereador. Assim, suspender a remuneração violaria o princípio constitucional da presunção de inocência.
Em 2023, a Justiça adotou o mesmo posicionamento ao determinar que o afastamento de Chico 2000 tinha caráter preventivo, com o objetivo de proteger a isenção da investigação e evitar interferência nos processos.
Perguntas frequentes
Porque a Justiça investiga a participação dele em um esquema de desvio de emendas parlamentares na Operação Gorjeta.
Sim. A Justiça considera o afastamento cautelar, e não punitivo, o que garante a manutenção do salário.
Não. Esta é a terceira operação policial envolvendo o vereador em menos de dois anos.




