Brasil e Chile avançam em negociações para facilitar comércio de vinhos, carnes e produtos do agronegócio

Perrengue Mato Grosso
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Brasil e Chile avançaram nas negociações para ampliar a cooperação no agronegócio com foco na modernização do comércio bilateral, fortalecimento da defesa sanitária e desenvolvimento de novas parcerias tecnológicas. As medidas foram discutidas durante reunião entre o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o embaixador do Chile no Brasil, Issa Kort, em meio às comemorações dos 190 anos de relações diplomáticas entre os dois países.

Entre os principais temas da pauta estão a implantação da certificação eletrônica para vinhos, carnes e outros produtos agropecuários, o reconhecimento de áreas livres de febre aftosa sem vacinação e o fortalecimento da cooperação científica entre instituições de pesquisa dos dois países.

Certificação digital promete agilizar exportações

Um dos principais avanços discutidos foi a implementação da certificação eletrônica no comércio bilateral. O sistema permitirá que documentos sanitários e fitossanitários sejam emitidos e validados de forma totalmente digital, seguindo padrões internacionais.

A expectativa é que a medida reduza a burocracia, aumente a segurança das informações e acelere o desembaraço de mercadorias. O Brasil é o principal destino dos vinhos chilenos, enquanto o Chile importa do mercado brasileiro carnes, produtos florestais, soja, insumos e alimentos destinados à nutrição animal.

Além dos vinhos, o processo de digitalização também está em fase avançada para o embarque de carnes e produtos de origem animal.

Pauta sanitária busca ampliar mercado

Durante a reunião, o governo brasileiro solicitou ao Chile o reconhecimento dos estados do Acre e de Rondônia como áreas livres de febre aftosa sem vacinação. O pedido pode ampliar o acesso da proteína animal brasileira ao mercado chileno.

As autoridades também discutiram mecanismos de regionalização sanitária para situações envolvendo doenças como a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e a Doença de Newcastle. Pelo modelo, eventuais restrições comerciais ficam limitadas às regiões afetadas por surtos, preservando as exportações das áreas consideradas livres das enfermidades.

Parcerias incluem pesquisa e corredor bioceânico

Os dois países também discutiram novas ações de cooperação entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto de Investigações Agropecuárias (INIA) do Chile. A parceria prevê intercâmbio de material genético animal e vegetal, além do compartilhamento de tecnologias voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário.

Outro tema tratado foi o Corredor Bioceânico Rodoviário, projeto de integração logística que ligará o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, passando por Paraguai e Argentina. A expectativa é que a rota reduza custos de transporte, diminua o tempo de escoamento da produção e fortaleça a competitividade do agronegócio brasileiro nos mercados do Pacífico.

A reunião deu continuidade aos compromissos previstos no Acordo de Livre Comércio entre Brasil e Chile, em vigor desde 2022, e reforçou a intenção dos dois países de ampliar a integração comercial e sanitária nos próximos anos.

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