Um alerta foi feito por lideranças indígenas que ameaçam bloquear novamente a ponte sobre o Rio Juruena, entre Juína e Brasnorte (MT), caso o governo estadual não avance em negociações. O impasse reacende antigos conflitos por terra, compensação ambiental e serviços essenciais. Acompanhe abaixo os detalhes dessa mobilização que pode afetar toda a região noroeste de Mato Grosso.
Uma mobilização histórica com impacto regional
O movimento mobiliza ao menos sete etnias — incluindo Enawenê‑Nawê, Cinta‑Larga e Kayabi — que já bloquearam a MT‑170 entre 31 de maio e 2 de junho. Naquele episódio, as comunidades fecharam a ponte por dois dias, interrompendo o tráfego de pessoas e mercadorias. A suspensão só ocorreu após negociação direta com representantes da Funai e do governo estadual.
Reivindicações que vão além da terra
As lideranças apresentam pautas complexas e interligadas. Principalmente, exigem:
- Revisão da demarcação da Terra Indígena Enawenê‑Nawê, incluindo áreas de nascentes como o Rio Preto, essenciais para o sustento tradicional.
- Compensações pelos impactos de pequenas hidrelétricas instaladas no Alto Juruena, obras que afetaram peixes e modo de vida ancestral.
- Melhoria de serviços como saúde, vacinas e infraestrutura dentro das aldeias, pleito antigo dos indígenas.
- Destinação de 40% do ICMS Ecológico diretamente às comunidades, valor que hoje não chega integralmente até elas.
Estratégia do bloqueio como pressão política
O bloqueio da ponte emergiu como forma de chamar atenção para demandas ignoradas há anos. A última mobilização foi pacífica e contou com canoas, pinturas corporais e pressão simbólica, interrompendo o tráfego sem violência.
A retomada da ameaça de bloqueio surge em resposta à falta de um acordo até a data-limite informal estabelecida pelas comunidades. Agora, elas esperam posicionamentos mais concretos do governo de Mato Grosso — seja via Funai, Casa Civil ou MPF — para evitar uma nova interdição.
O que pode vir a seguir
A situação cria um dilema entre garantir a mobilidade regional e acelerar ações efetivas para os povos indígenas. As cidades afetadas – Juína, Brasnorte, Colniza e outras – dependem da MT‑170 para transporte de bens, serviços e acesso a mercado.
A negociação foi transferida para Brasília, com uma comissão de 42 lideranças indígenas marcada para visitar a Funai no dia 6 de junho. O objetivo é garantir respostas formais e verificáveis às reivindicações.
Perguntas e respostas sobre o bloqueio
Por que a ponte foi bloqueada?
Os indígenas querem demarcação ampliada, mais compensações ambientais e melhorias em saúde e infraestrutura.
Que tribos participam do bloqueio?
Representantes das etnias Enawenê‑Nawê, Cinta‑Larga, Kayabi, Irantxe, Arara, Rikbaktsa e outras.
Qual a próxima ação prevista?
Está marcada reunião das lideranças com a Funai em Brasília na primeira semana de junho para tentar um acordo.
Esse cenário indica que a mobilização indígena pode novamente ganhar força se as autoridades não apresentarem propostas concretas.



