Ativista trans é agredida após encontro e faz grave denúncia: “Ele queria me matar”; veja vídeo

Perrengue Mato Grosso

A ativista social e comunicadora Iza Potter relatou ter sido violentamente agredida na manhã deste domingo (13), em frente ao seu prédio, localizado na região central de São Paulo. Conhecida nas redes sociais por seu trabalho em defesa da população trans e de pessoas portadoras de HIV, Iza publicou vídeos em que aparece com o rosto ferido, denunciando o ocorrido como uma tentativa de transfeminicídio.

Segundo seu relato, a agressão aconteceu após ela convidar um homem para subir ao apartamento, com quem havia se relacionado depois de um evento. Ainda de acordo com Iza, o homem começou a agir de forma agressiva, recusando-se a sair do local e acusando-a falsamente de roubo, embora já tivesse mencionado anteriormente que havia perdido o celular antes de subir.

“Ele agarrou meu cabelo e bateu minha cabeça”

Iza contou que tentou levá-lo até a porta do prédio, quando a situação se agravou.

“Ao chegar na porta do prédio, ele me segurou pela camisa. E começou a falar: ‘Você me roubou, você estava comigo ali em tal festa’ e não falava coisa com coisa. E ali começaram as agressões”, relatou.
“Quando ele segurou minha camisa, fiz um movimento para que a camisa saísse do meu corpo e eu conseguisse entrar, mas no que eu consegui entrar, ele agarrou nos meus cabelos, baixou minha cabeça e bateu nela.”

Mesmo com parte do corpo já dentro do prédio, o homem continuou puxando seu cabelo violentamente.

“Ele puxando meu cabelo. Para arrancar. Ele estava com muita raiva”, disse.

Uma amiga e vizinhos ouviram os gritos e desceram para ajudá-la. No entanto, Iza afirma que os presentes não contiveram o agressor, que permaneceu por algum tempo no local, danificando a porta do prédio, antes de ir embora. Pouco tempo depois, a polícia chegou, mas já não havia flagrante.

“Poderiam ter segurado ele, porque logo em seguida, cinco minutos depois, a polícia chegou. Era para ter sido em caráter de flagrante (…) Porque era uma travesti que estava ali, era a palavra dele dizendo que eu havia roubado”, desabafou.

Boletim de ocorrência e medo de represálias

A ativista registrou o boletim de ocorrência, procurou uma unidade de saúde e, em seguida, compareceu ao IML. Iza contou que os golpes atingiram a cabeça e o olho, além de terem danificado um aparelho auditivo implantado que ela utiliza.

“Ele bateu muito na minha cabeça, muito. Eu sou uma pessoa implantada, eu faço uso de aparelho auditivo. Ele danificou o meu aparelho, o aparelho está com mau funcionamento.”

Ela agora pretende solicitar medida protetiva com base na Lei Maria da Penha e afirmou que está com medo de voltar ao seu prédio.

“Foi uma tentativa de transfeminicídio. […] Eu não vou ficar omissa com medo de que as pessoas julguem. Eu sou ser humano, acima de tudo.”

Com mais de 38 mil seguidores no Instagram e atuação reconhecida em pautas sociais, Iza decidiu tornar o caso público para denunciar a violência contra pessoas trans e encorajar outras vítimas a não se calarem.

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Perguntas frequentes

Iza Potter sofreu quais tipos de ferimentos durante a agressão?

Ferimentos na cabeça e no olho, além de danos ao seu aparelho auditivo implantado.

Por que Iza classificou o caso como tentativa de transfeminicídio?

Porque ela acredita que a transfobia motivou a agressão e afirma que a identidade de gênero dela fez com que as pessoas deixassem de oferecer apoio no momento da violência.

O agressor foi preso?

Não. Ele deixou o local antes que a polícia chegasse e, até o momento, as autoridades ainda não confirmaram se conseguiram localizá-lo.

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