Um vídeo gravado por Gabriel Gouveia, jovem de 20 anos, viralizou nas redes sociais. As imagens, captadas em Maragogi, no litoral norte de Alagoas, mostram o momento em que ele entrega uma galinha viva a uma sucuri. A serpente, por instinto, ataca e engole a presa em poucos segundos. A publicação despertou reações diversas, mas sobretudo provocou indignação entre ambientalistas e internautas, além de reacender o debate sobre os limites do convívio humano com animais silvestres.
Reprodução pic.twitter.com/NWwc0SLGOy
— Perrengue2 (@perrengue2025) July 29, 2025
Apesar da rotina com animais, atitude levanta questionamentos
Embora Gabriel mantenha uma rotina habitual de interação com animais selvagens, como cobras, lagartos e jacarés, o conteúdo do vídeo ultrapassa o que muitos consideram aceitável. Além disso, ao registrar e divulgar a alimentação da sucuri com uma ave viva, ele reforça a tendência de transformar comportamentos naturais em espetáculos digitais. Como consequência, o caso levanta preocupações sobre os impactos desse tipo de exposição na percepção pública da fauna nativa.
Conforme a legislação, ação pode ser ilegal
De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), alimentar animais silvestres sem autorização prévia configura infração ambiental. Isso porque tais práticas não apenas interferem no comportamento natural das espécies, mas também podem ser consideradas maus-tratos. Em outras palavras, além de arriscar a integridade do animal, a conduta pode levar à aplicação de multas, investigação criminal e apreensão dos bichos. Ou seja, o que parece apenas uma cena impactante nas redes pode representar um grave desrespeito à legislação ambiental.
Ao buscar engajamento, criadores de conteúdo banalizam riscos
Em tempos de viralização instantânea, influenciadores digitais muitas vezes recorrem a cenas extremas para atrair seguidores. Contudo, ao fazer isso, correm o risco de propagar informações equivocadas e incentivar práticas perigosas. Por exemplo, ao apresentar o contato com uma sucuri como algo inofensivo, Gabriel pode motivar outros jovens a imitarem o comportamento sem qualquer preparo técnico ou consciência ambiental.
Além disso, especialistas como o biólogo Mario Moscatelli ressaltam que a popularização desse tipo de conteúdo pode comprometer a educação ambiental e contribuir para a falsa ideia de que os animais silvestres aceitam com naturalidade a presença humana. Portanto, ao invés de promover a preservação, tais vídeos podem fomentar a exploração irresponsável da fauna brasileira.
Perguntas frequentes
Sim, o contato frequente pode interferir em seu comportamento e até colocá-la em risco.
Sim, principalmente se a ação infringir normas ambientais ou causar maus-tratos.
Depende: quando o conteúdo é responsável e informativo, educa; do contrário, desinforma e banaliza a natureza.



