“Ainda Estou Aqui”: Projeto quer trocar nomes de ruas ligadas à ditadura militar em São Paulo

Perrengue Mato Grosso

Um projeto de lei protocolado na Câmara Municipal de São Paulo está gerando debates sobre memória e justiça histórica. Proposto pelo vereador Nabil Bonduki (PT), o projeto “Ainda Estou Aqui” pretende renomear ruas, praças e equipamentos públicos que homenageiam torturadores ou pessoas associadas a violações dos direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985). A iniciativa busca substituir esses nomes por homenagens a vítimas do regime autoritário.

Memória e identidade nas ruas

O projeto cita 15 locais que podem ter seus nomes alterados. Bonduki argumenta que a população tem o direito de saber quem são as pessoas homenageadas em seus endereços. Ele mencionou um poema de Mário de Andrade, que reflete o desconhecimento sobre figuras históricas que batizam nossas ruas. “Nesta rua Lopes Chaves, envelheço, e envergonhado, nem sei quem foi Lopes Chaves”, citou o vereador, reforçando a importância de resgatar a memória coletiva.

Inspiração no cinema

O nome do projeto, “Ainda Estou Aqui”, é uma referência ao filme de Walter Salles, vencedor do Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional. A obra retrata histórias de resistência durante a ditadura, tema que ecoa na proposta de Bonduki. A ideia é que as novas homenagens celebrem aqueles que lutaram pela democracia e foram silenciados pelo regime militar.

Impacto na cidade e na sociedade

A proposta não é apenas simbólica. Ela pode gerar mudanças práticas, como a atualização de mapas, documentos oficiais e endereços comerciais. Além disso, reacende o debate sobre como o Brasil lida com seu passado autoritário. Enquanto alguns defendem a iniciativa como um passo necessário para a justiça histórica, outros questionam se a medida pode apagar parte da história, mesmo que controversa.

Perguntas e respostas

Quantas ruas em São Paulo homenageiam figuras da ditadura?

Estima-se que dezenas de ruas e logradouros no país levem nomes associados ao regime militar.

Quem decide os nomes das ruas?

A escolha é feita por projetos de lei propostos por vereadores e aprovados pela Câmara Municipal.

Outros países já fizeram mudanças semelhantes?

Sim, países como Alemanha e África do Sul renomearam locais que homenageavam figuras ligadas a regimes opressores.

    O projeto “Ainda Estou Aqui” promete continuar gerando discussões sobre memória, justiça e o papel da cidade em contar sua própria história.

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