O advogado e produtor de eventos Liomar Almeida, investigado na Operação Smoke, divulgou vídeos nas redes sociais e negou qualquer ligação com familiares de Joseph Ibrahim Khargy Junior, apontado como liderança do Comando Vermelho em Cuiabá. A Polícia Civil investiga a suspeita de que juristas tenham cobrado R$ 250 mil para intermediar um habeas corpus junto a um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A Polícia Civil deflagrou a operação na quarta-feira (4) e cumpriu mandados de busca e apreensão e medidas cautelares contra Liomar Almeida, o advogado Gustavo Barros dos Santos e o bacharel em Direito Dimas Pimentel Barroso.
Segundo os investigadores, os suspeitos ofereceram aos familiares do detento a possibilidade de intermediar uma decisão judicial favorável, alegando influência dentro do Judiciário.
Familiares do preso denunciaram a suposta negociação
De acordo com o inquérito, Dimas Pimentel Barroso procurou os familiares de Joseph Ibrahim Khargy Junior e apresentou a proposta de negociação. Ele teria solicitado R$ 250 mil para supostamente viabilizar um habeas corpus favorável ao detento.
Durante a conversa, Dimas também teria orientado os familiares a não informar o advogado responsável pela defesa formal do preso, o que levantou suspeitas e motivou a denúncia às autoridades.
As investigações apontam que Joseph Ibrahim Khargy Junior possui ligação com o Comando Vermelho e surgiu como possível sucessor de Paulo Witer Paelo, conhecido como W.T., dentro de um dos núcleos da facção criminosa em Mato Grosso. A polícia já havia investigado Joseph na Operação Tempo Extra.
Polícia identifica caso semelhante ocorrido em 2023
Durante a apuração, a Polícia Civil identificou um boletim de ocorrência registrado em 2023 com características semelhantes ao caso investigado atualmente.
Segundo o documento, Dimas Pimentel e Liomar Almeida teriam solicitado dinheiro a familiares de outro detento. Eles afirmaram que repassariam o valor ao assessor de um desembargador para facilitar uma decisão judicial.
Esse registro anterior reforçou a linha de investigação da polícia. Agora, os investigadores analisam se os suspeitos atuavam em um possível esquema de exploração de familiares de presos, com promessas de influência no Judiciário.
Liomar Almeida nega participação no esquema
Nos vídeos publicados nas redes sociais, Liomar Almeida afirmou que não possui qualquer ligação com os familiares do detento, com o processo judicial ou com integrantes do Tribunal de Justiça.
Ele também declarou que Dimas Pimentel trabalhou em seu escritório até 2023, mas garantiu que não mantém contato com ele desde então.
“Eu não devo nada. Não tenho relação nenhuma com o Dimas, não tenho relação nenhuma com o preso, não tenho relação nenhuma com desembargador, nem com assessor”, afirmou.
Liomar também destacou que as vítimas não mencionaram seu nome nas denúncias registradas.
“A pessoa que denunciou o Dimas nunca mencionou meu nome. Os familiares do preso não falam meu nome, não me conhecem e nunca me viram”, declarou.
Investigado afirma que não estava em Cuiabá na época
Liomar Almeida também afirmou que não conhece o advogado Gustavo Barros dos Santos, citado nas investigações como outro envolvido no caso.
Sobre o boletim de ocorrência registrado em 2023, ele declarou que não teve participação nos fatos relatados.
Atualmente, segundo o próprio advogado, ele reduziu sua atuação na advocacia e passou a se dedicar principalmente à produção de eventos e venda de shows.
Liomar também afirmou que não estava em Cuiabá quando os fatos investigados teriam ocorrido, em dezembro de 2025.
“Eu nem estava em Cuiabá. Estava em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo vendendo shows”, disse.
A Operação Smoke é uma investigação da Polícia Civil que apura a suspeita de cobrança de dinheiro para intermediar decisões judiciais, como habeas corpus, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Ele é apontado pelas autoridades como liderança do Comando Vermelho em Cuiabá e possível sucessor de Paulo Witer Paelo, conhecido como W.T., dentro da facção.
A polícia investiga a suspeita de que juristas tenham solicitado cerca de R$ 250 mil para supostamente intermediar um habeas corpus favorável ao detento.



