O Território Indígena Mãe Maria, no Pará, amanheceu mais silencioso e saudoso nesta semana. Faleceu aos 105 anos uma das maiores lideranças espirituais e culturais dos povos Parkatejê, Gavião e Kyikatêjê: Ronöre, carinhosamente chamada de Mamãe Grande. Sua partida não marca apenas o fim de uma vida centenária, mas o encerramento de um capítulo fundamental da história de resistência indígena no Brasil.
Testemunha dos tempos mais sombrios
Ronöre viveu e sobreviveu a um dos períodos mais cruéis da história do país: a ditadura militar. Foi durante esse tempo que ela, junto de seu povo, foi forçada a deixar a aldeia ancestral para dar espaço à construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. O empreendimento alagou territórios sagrados, destruiu ecossistemas e desestruturou modos de vida tradicionais.

Mesmo em meio à dor do deslocamento, ela não se calou. Tornou-se referência de resiliência e articuladora de ações em defesa dos direitos dos povos indígenas, mantendo viva a língua, os saberes e os rituais ancestrais.
Guardião da cultura e da memória coletiva
O legado de Mamãe Grande vai além da resistência física. Ela desempenhou um papel central na educação tradicional, cuidando de crianças órfãs, transmitindo histórias, cantos, rituais e fortalecendo a identidade cultural dos povos Parkatejê, Gavião e Kyikatêjê.
Sua casa virou escola de saberes. Ali, jovens aprenderam não apenas a falar sua língua originária, mas também os valores que sustentam a coletividade, o respeito à natureza e à espiritualidade.
Legado que atravessa gerações
A morte de Ronöre não significa o fim de sua luta. Sua trajetória permanece como farol para as futuras gerações. Líderes comunitários já afirmaram que seguirão empenhados na proteção do território, na preservação da cultura e na continuidade da resistência que Mamãe Grande cultivou por mais de um século.
Perguntas e respostas
Quem foi Mamãe Grande?
Ronöre foi uma das maiores referências culturais dos povos Parkatejê, Gavião e Kyikatêjê.
Qual foi seu maior legado?
A preservação da cultura, dos saberes ancestrais e da língua dos povos indígenas.
O que acontece agora?
As lideranças locais prometem manter viva a luta pela defesa do território e da cultura, honrando seu legado.




