O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), surpreendeu ao anunciar que não vai apoiar publicamente nenhum candidato ao Governo de Mato Grosso em 2026. A decisão coloca o aliado de Jair Bolsonaro em rota de colisão com o plano do próprio partido, que já tem o senador Wellington Fagundes como pré-candidato.
A justificativa é simples, mas delicada: amizade. Abilio disse que mantém boa relação tanto com Wellington Fagundes quanto com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), nome apoiado pelo grupo do governador Mauro Mendes. “Não tenho como tomar partido”, afirmou à imprensa na quarta-feira (4) .
O que chama atenção é que o prefeito não agiu sozinho. Ele revelou que conversou sobre o assunto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. Segundo Abilio, Flávio entendeu a situação e deu aval para que ele mantenha a neutralidade no estado. O senador teria dito que o mesmo cenário se repete em outras regiões do país .
A amizade que atrapalha os planos do PL
Abilio não esconde a proximidade com Pivetta. Os dois se conhecem desde 2020 e o prefeito já tentou, mais de uma vez, convencer o vice-governador a se filiar ao PL. O convite foi feito com aval da direção estadual do partido, mas Pivetta recusou .
A relação incomoda nos bastidores. Em outubro do ano passado, o deputado estadual Júlio Campos (União) chegou a chamar Abilio de “traidor disfarçado”, acusando-o de fingir lealdade ao partido enquanto articula nos bastidores com o grupo adversário .
O prefeito, no entanto, garante que a parceria com o governo estadual tem objetivo exclusivamente administrativo. Ele argumenta que Cuiabá ficou oito anos sem receber investimentos do Estado por falta de diálogo na gestão anterior, e que agora quer aproveitar a boa relação para trazer melhorias para a capital .
O que diz Wellington Fagundes
O senador Wellington Fagundes tenta minimizar a movimentação do prefeito. Em entrevistas recentes, ele afirmou que não vê problemas na aproximação de Abilio com Pivetta. Disse que governar exige diálogo e que prefeitos não podem se isolar politicamente por causa de eleições .
Wellington também lembrou que Abilio já reafirmou compromisso com o partido e que deverá seguir as orientações da legenda quando o momento eleitoral chegar. O senador aposta na própria trajetória política para sustentar a candidatura, mas enfrenta resistências internas. Em 2025, um vídeo antigo de Pivetta chamando Jair Bolsonaro de “preguiçoso” e “comediante” voltou a circular, complicando ainda mais a relação entre os grupos .
O meio do caminho de Abilio
A solução encontrada pelo prefeito foi ficar em cima do muro. Ele admite que pode subir nos palanques dos dois candidatos, sem declarar voto aberto para nenhum. “Quem vencer a eleição em Mato Grosso terá um bom resultado”, disse .
O foco declarado de Abilio é outro. Ele quer eleger o senador José Medeiros (PL), apoiar Flávio Bolsonaro à Presidência e lançar a própria esposa, a vereadora Samantha Iris, como candidata a deputada estadual. O projeto de Wellington Fagundes, pelo menos por enquanto, não aparece como prioridade na lista do prefeito .
Curiosidades sobre a neutralidade de Abilio
Por que Abilio não consegue romper com Pivetta?
Os dois são amigos desde 2020, quando Abilio deixou a vereança para disputar a prefeitura pela primeira vez. A relação pessoal se fortaleceu ao longo dos anos, antes mesmo de qualquer projeto eleitoral para 2026 .
O que Pivetta já falou sobre Jair Bolsonaro?
Em 2018, um vídeo gravado por Pivetta viralizou. Nele, o vice-governador chama o ex-presidente de “preguiçoso” e “comediante”, afirmando que Bolsonaro só se preocupava em empregar os filhos. O vídeo voltou a circular e atrapalha a aproximação com o PL .
Flávio Bolsonaro realmente deu aval para Abilio ficar neutro?
Segundo o próprio prefeito, sim. Ele afirma que Flávio compreendeu a situação e disse que o mesmo ocorre em outros estados, como no Acre. O senador teria autorizado Abilio a não tomar posição pública na disputa estadual .





