Estudantes encurtam jornada de 16 horas para fazer o Enem sem sair do arquipélago; veja vídeo

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A realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no arquipélago do Bailique, no Amapá, transformou a rotina de dezenas de estudantes. Pela primeira vez, a equipe aplicou o exame dentro da própria região, evitando que os alunos viajassem até Macapá um trajeto de até 16 horas de barco. A mudança representa um marco para a educação nas comunidades ribeirinhas e um passo importante na democratização do acesso ao ensino superior.

Uma travessia que virou conquista

No sábado (8), 12 estudantes da comunidade de Filadélfia viajaram para a vila Progresso, onde fariam a prova. O percurso, feito em embarcações simples, durou poucas horas e simbolizou a superação de um obstáculo histórico. Em anos anteriores, os alunos enfrentavam longas viagens até a capital, muitas vezes sob condições precárias. Em 2024, a seca na região chegou a interromper trechos do rio, obrigando candidatos a empurrar os barcos para seguir caminho.

A nova estrutura garantida pelo Inep trouxe alívio e esperança.

Logística inédita e desafio estrutural

O arquipélago do Bailique, localizado na foz do rio Amazonas, reúne dezenas de comunidades isoladas. Nesta edição do Enem, 172 estudantes se inscreveram para realizar o exame na região. A logística exigiu atenção especial: transporte de provas por via fluvial, segurança reforçada e equipes técnicas dedicadas à aplicação.

Além de reduzir o desgaste dos alunos, a medida representa um avanço simbólico para a inclusão de áreas remotas no sistema educacional. Em locais onde o acesso à internet é instável e as escolas enfrentam carência de professores e infraestrutura, aplicar o Enem localmente é uma forma de garantir igualdade de oportunidades.

Educação que alcança as margens

A decisão do Inep de levar o Enem ao Bailique reforça a importância de integrar comunidades ribeirinhas às políticas públicas nacionais. O exame não é apenas uma avaliação é a porta de entrada para universidades e programas de bolsas. Para os jovens do arquipélago, participar sem precisar sair de casa significa mais do que economia de tempo: é reconhecimento e pertencimento.

A experiência pode servir de modelo para outras regiões isoladas do país, onde a distância ainda é uma barreira entre o aluno e o futuro.

Perguntas e respostas

Por que o Enem foi aplicado pela primeira vez no Bailique?

Para evitar que os estudantes precisassem viajar até Macapá, enfrentando jornadas de até 16 horas de barco.

Quantos candidatos participaram na região?

Ao todo, 172 alunos se inscreveram para fazer a prova no arquipélago.

O que essa medida representa para a educação local?

Representa inclusão, redução de desigualdades e um avanço na garantia de acesso ao ensino superior para jovens de áreas remotas.

Fabíola Maria Costa Silva

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