A procuradora da República Gisele Bleggi Cunha, integrante do Ministério Público Federal, tornou-se alvo de ataques misóginos nas redes sociais após a divulgação de um vídeo gravado no município de Propriá, na região do Baixo São Francisco.
Foto/ Vídeo: @jurinewsbr e @direitonews
As imagens foram registradas durante o Seminário Regional de Licenciamento Ambiental, evento no qual a procuradora apresentou uma palestra técnica sobre legislação ambiental e responsabilidades administrativas.
Debate ambiental é ofuscado por ataques pessoais
Durante o evento, autoridades locais discutiram a importância da preservação dos recursos hídricos da região. No vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito da cidade agradece a participação da representante do MPF e destaca a relevância do debate ambiental.
No entanto, após a publicação do conteúdo na internet, parte dos comentários desviou o foco do tema ambiental para ataques pessoais contra a procuradora. Usuários passaram a publicar ofensas direcionadas à aparência física e à forma de vestir de Gisele Bleggi Cunha.
OAB e procuradores repudiam ataques
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe divulgou nota manifestando preocupação com o episódio. A entidade afirmou que acompanha o caso e ressaltou que as pessoas não podem tratar as redes sociais como espaços sem responsabilização.
Segundo a Ordem, quem tenta desqualificar mulheres que ocupam cargos institucionais pratica uma forma de violência que o debate público não deve normalizar.
A Associação Nacional dos Procuradores da República também manifestou apoio à procuradora. A entidade repudiou qualquer forma de exposição vexatória, sexista ou desrespeitosa direcionada à integrante do Ministério Público.
Caso reacende debate sobre violência digital contra mulheres
As instituições destacaram que críticas à atuação profissional devem ocorrer no campo das ideias e dos argumentos jurídicos, sem atingir aspectos pessoais.
O episódio ganhou ainda mais repercussão por ocorrer em março, período marcado pelas discussões sobre igualdade de gênero em razão do Dia Internacional da Mulher.
Especialistas apontam que ataques desse tipo reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre violência de gênero também no ambiente digital.
Perguntas e respostas
A procuradora da República Gisele Bleggi Cunha.
Durante um seminário ambiental no município de Propriá, em Sergipe.
A OAB-SE e a Associação Nacional dos Procuradores da República.



