A Corregedoria da Polícia Civil prendeu a delegada Layla Lima Ayub na sexta-feira (16) e abriu investigação para apurar vínculos dela com integrantes de facções criminosas. Em depoimento, a própria delegada reconheceu que atuou de forma irregular ao representar suspeitos ligados ao Comando Vermelho em uma audiência de custódia no fim de 2025, poucos dias depois de assumir o cargo. As autoridades consideraram esse episódio decisivo para pedir a prisão.
Os investigadores colheram o depoimento horas após a detenção e mantêm o inquérito em segredo de Justiça. Pessoas ligadas ao caso afirmam que Layla declarou saber que o companheiro integrava o Primeiro Comando da Capital, embora não tenha explicado se ajudou o grupo de alguma forma.
Companheiro descumpria regras e frequentava eventos oficiais
A polícia também prendeu Jardel Neto Pereira da Cruz, de 29 anos, conhecido como Dedel, apontado como integrante do PCC na região Norte. A apuração indica que Layla manteve relacionamento com ele enquanto já exercia a função de delegada.
No pedido de prisão, os investigadores destacaram que Dedel descumpria condições da liberdade condicional quando acompanhou a delegada em ambientes institucionais, inclusive em eventos ligados à Academia de Polícia. Para a polícia, a conduta expôs falhas graves de segurança e afrontou regras básicas da carreira.
Posse recente e histórico pessoal citado em depoimento
Layla tomou posse em 19 de dezembro de 2025 e iniciou, logo depois, as atividades na Academia de Polícia. No depoimento, ela relatou que se casou duas vezes antes de conhecer Jardel e afirmou que, após a morte do primeiro marido, recebeu incentivo de um policial que se tornou delegado para seguir a carreira.
Segundo a própria delegada, ela conheceu o atual companheiro antes da aprovação no concurso e manteve o relacionamento após assumir o cargo, mesmo sabendo do envolvimento dele com o crime organizado.
Investigação busca provas de favorecimento
Até agora, a Polícia Civil não detalhou como a delegada teria beneficiado diretamente facções, mas afirma que analisa comunicações, movimentações e decisões tomadas após a posse. A Justiça manteve a prisão preventiva para evitar interferência nas apurações e preservar provas.
A Corregedoria também avalia possíveis infrações disciplinares, que podem resultar em demissão, além das consequências criminais, caso surjam indícios de participação ativa em esquemas ilegais.
Perguntas e respostas
A investigação apontou vínculos com facções e atuação incompatível com o cargo logo após a posse.
Jardel Neto, apontado como integrante do PCC e companheiro da delegada.
Ainda não divulgou provas de ajuda direta, mas apura possíveis favorecimentos.









