O fotógrafo de vida selvagem Roger Benedik publicou neste último domingo (24) um vídeo que mostra cerca de 10 ariranhas vocalizando enquanto descem um rio em Porto Jofre, região de Poconé, no Pantanal mato-grossense. As imagens repercutiram nas redes sociais pela intensidade dos sons emitidos pelos animais.
Roger Benedik explicou que as ariranhas utilizam vocalizações para manter contato entre integrantes do grupo. Segundo ele, os animais emitiram os sons durante mais de um minuto para chamar um indivíduo que ficou para trás na travessia pelo rio.
O registro revelou uma cena rara da fauna pantaneira e reforçou a importância ambiental do Pantanal de Mato Grosso, considerado um dos principais refúgios naturais da espécie no Brasil.
Ariranhas vivem em grupo e usam sons para comunicação
As ariranhas pertencem à subfamília Lutrinae e lideram o ranking das maiores lontras da América do Sul. A espécie pode alcançar quase dois metros de comprimento e pesar entre 22 e 35 quilos.
Os animais vivem em grupos organizados e mantêm forte interação social. Por isso, utilizam diferentes sons para alertas, localização, proteção e deslocamento coletivo. A comunicação sonora garante segurança durante caçadas e travessias nos rios do Pantanal.
As ariranhas também exercem papel fundamental no equilíbrio ambiental. Elas se alimentam principalmente de peixes, caranguejos, sapos, lagartos, cobras, jacarés e outros pequenos vertebrados. Uma única ariranha consegue consumir até três quilos de peixe por dia.
Espécie enfrenta risco de extinção em países vizinhos
Organizações ambientais apontam o Brasil como o país com maior distribuição de ariranhas. A espécie ocupa áreas da Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Mesmo assim, especialistas classificam o animal como vulnerável em várias regiões da América do Sul.
Argentina e Uruguai já registram risco elevado de extinção da espécie. Ambientalistas atribuem a redução populacional à destruição dos habitats naturais, às queimadas, à poluição dos rios e à caça ilegal.
No Pantanal mato-grossense, incêndios florestais e degradação ambiental também ameaçam a sobrevivência das ariranhas. Especialistas defendem fiscalização permanente e políticas públicas voltadas à preservação dos rios e da vegetação nativa.
Lei prevê prisão e multa para crimes contra animais silvestres
A legislação brasileira pune crimes ambientais contra animais silvestres. A Lei Federal nº 9.605/1998 estabelece pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa, para quem matar, perseguir, capturar ou comercializar espécies sem autorização legal.
As autoridades também aplicam penalidades para destruição de áreas de preservação, queimadas ilegais e contaminação de rios. Os crimes ambientais provocam impactos diretos na reprodução e sobrevivência das ariranhas no Pantanal.








