Cerca de 400 indígenas interceptaram, nesta quinta-feira (19), balsas em operação da Cargill durante travessia no rio Tapajós, em Santarém. O ato ocorreu no Pará e teve como principal reivindicação o fim do plano federal de hidrovias voltado ao escoamento de produtos pelos rios da Amazônia.
Os manifestantes abordaram embarcações que operavam na região. O grupo cobra esclarecimentos sobre impactos ambientais e territoriais relacionados ao projeto. O protesto integra mobilizações recentes que discutem a expansão logística em áreas amazônicas.
O que está em debate no plano de hidrovias
O plano federal prevê estudos e diretrizes para ampliar o uso de rios como rotas de transporte de cargas. A proposta busca fortalecer o escoamento de grãos e outros produtos por meio de hidrovias, reduzindo custos logísticos e aumentando competitividade.
No entanto, lideranças indígenas afirmam que o projeto pode afetar territórios tradicionais e alterar dinâmicas socioambientais. O rio Tapajós, um dos principais afluentes do Amazonas, desempenha papel estratégico tanto para comunidades locais quanto para o transporte regional.
Os indígenas argumentam que decisões sobre infraestrutura devem considerar consulta prévia às populações impactadas, conforme previsto em normas internacionais.
Governo e empresa se manifestam
Em nota, o governo federal afirmou que o decreto relacionado ao plano não autoriza obras imediatas nem privatiza a hidrovia. Segundo a posição oficial, o documento estabelece diretrizes gerais para estudos e organização do setor.
Já a Cargill declarou que não possui ingerência sobre o plano federal e que atua apenas na operação logística dentro das normas vigentes. A empresa ressaltou que segue a legislação ambiental e regulatória.
As balsas interceptadas realizavam atividades rotineiras de transporte no momento da manifestação.
Impacto logístico e regional
O rio Tapajós integra importante corredor de escoamento de grãos do Centro-Oeste para portos do Norte. A utilização de hidrovias representa alternativa ao transporte rodoviário em longas distâncias.
A interceptação das embarcações evidenciou o conflito entre expansão logística e demandas territoriais. Até o momento, não houve registro de confronto físico, segundo informações iniciais.
As mobilizações seguem sob acompanhamento das autoridades locais.
Perguntas frequentes:
Onde ocorreu o protesto?
No rio Tapajós, em Santarém (PA).
Qual é a principal reivindicação?
O fim do plano federal de hidrovias na Amazônia.
A Cargill participa da decisão sobre o plano?
A empresa afirma que não tem ingerência sobre o decreto.






