A Polícia Civil de Mato Grosso desvendou, na última terça-feira (28), um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo seis vereadores de Cuiabá. A investigação, no âmbito da Operação Gorjeta, revelou que os parlamentares destinaram R$ 5,5 milhões em emendas impositivas ao Instituto Brasil Central (Ibrace), que, segundo os investigadores, opera como fachada para lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Os parlamentares envolvidos são:
- Chico 2000
- Luiz Fernando (Republicanos)
- Kássio Coelho (Podemos)
- Wilson Kero Kero (PMB)
- Lilo Pinheiro (PP)
- Dídimo Vovô (PSB)
Chico 2000 lidera os repasses e vira principal alvo
A investigação identificou que o vereador Chico 2000 repassou R$ 3,5 milhões ao Ibrace entre 22 de novembro de 2022 e 9 de abril de 2025 — o que representa cerca de 66% do total movimentado pelo instituto.
No dia 4 de abril de 2025, Chico 2000 destinou R$ 600 mil para a realização da 36ª Corrida do Senhor Bom Jesus. Cinco dias depois, em 9 de abril, ele transferiu mais R$ 400 mil para a 6ª Corrida do Legislativo, também organizada pelo instituto.
A Polícia Civil constatou que, embora o Ibrace apareça como responsável formal pelos eventos, quem comandava de fato as atividades era a empresa Chiroli Esportes, do empresário João Nery Chiroli, que não integra oficialmente o Ibrace, mas atua como representante informal da entidade.
Investigadores associam repasse a obra ligada ao vereador
No mesmo dia do repasse de R$ 400 mil, Chiroli transferiu R$ 20 mil via PIX para uma construtora que executa obra vinculada a Chico 2000 em Chapada dos Guimarães. A coincidência chamou a atenção dos investigadores, que identificaram trocas de mensagens entre o empresário e o parlamentar.
A apuração revelou que Chiroli operava os eventos esportivos e movimentava recursos do instituto, mesmo sem fazer parte oficialmente da equipe. A Polícia Civil suspeita que o Ibrace servia apenas como intermediário para ocultar a real origem e o destino do dinheiro.
Outros vereadores também usaram o Ibrace
Os demais parlamentares investigados repassaram os seguintes valores ao Ibrace:
- Luiz Fernando: R$ 350 mil
- Kássio Coelho: R$ 400 mil
- Wilson Kero Kero: R$ 307 mil
- Kero Kero e Lilo Pinheiro (conjuntamente): R$ 317.213
- Chico 2000 e Dídimo Vovô (em parceria): R$ 200 mil
- Valor não identificado: R$ 365.574

Instituto opera como fachada para crimes, diz Polícia
O Ibrace se apresenta como uma organização sem fins lucrativos, criada para promover cidadania, inclusão social e eventos esportivos. Porém, os investigadores afirmam que a entidade funcionava como instrumento para captar recursos públicos, disfarçar a movimentação de dinheiro e beneficiar terceiros.
A diretoria do instituto inclui Alex Jony Silva (presidente), Valdomiro Everson Rigolin (secretário) e Joaci Conceição Silva (tesoureiro). O conselho fiscal conta com Osvaldo de Souza Brito, Suzana Parreira Oliveira e Eleuza Maria da Silva.
Perguntas frequentes
Depende. Pode, desde que o repasse siga regras legais, tenha finalidade pública e fiscalização rigorosa.
O presidente formal é Alex Jony Silva, mas João Nery Chiroli atuava como representante informal, segundo a investigação.
Porque ele destinou R$ 3,5 milhões em emendas — o maior valor entre os vereadores investigados.








