Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul. A decisão marca um passo importante após mais de duas décadas de negociações. Ao mesmo tempo, o avanço do tratado provocou protestos de agricultores e forte rejeição política na França, principal opositora do texto dentro do bloco europeu.
O acordo envolve a União Europeia e quatro países sul-americanos: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A proposta prevê redução de tarifas, ampliação do comércio bilateral e maior integração econômica entre os dois blocos, que juntos representam uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Resistência francesa pressiona negociações
Apesar da aprovação provisória, o acordo enfrenta resistência significativa na França. Agricultores franceses realizaram protestos alegando concorrência desleal com produtos agrícolas do Mercosul. O temor é que carnes, grãos e outros itens cheguem ao mercado europeu com preços mais baixos e padrões ambientais diferentes.
O governo francês manifestou rejeição unânime ao texto, afirmando que ele pode prejudicar produtores locais. A posição da França tem peso político relevante e pode influenciar as etapas finais de ratificação, que ainda exigem aprovação formal dos parlamentos nacionais e do Parlamento Europeu.
O que muda na prática com o acordo
O acordo UE-Mercosul prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% dos produtos comercializados entre os blocos. Isso inclui bens industriais, produtos agrícolas e itens do agronegócio. Também estão previstas regras sobre compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável.
Para a União Europeia, o tratado amplia o acesso a um mercado consumidor em expansão. Para os países do Mercosul, a redução de barreiras pode facilitar exportações e atrair investimentos estrangeiros, especialmente em setores estratégicos.
Como o Brasil pode ser beneficiado
Segundo o especialista em comércio exterior Ronaldo Félix, o Brasil tende a ser um dos maiores beneficiados pelo acordo. O país possui forte competitividade no agronegócio, na mineração e em produtos industriais básicos. Com tarifas menores, esses itens ganham vantagem no mercado europeu.
Além disso, o acordo pode estimular a modernização de cadeias produtivas e aumentar a previsibilidade comercial. Empresas brasileiras também podem se beneficiar de maior acesso a tecnologias e insumos europeus, o que impacta positivamente a produtividade.
Próximos passos e incertezas
Apesar do avanço, o acordo ainda não está em vigor. O texto passará por revisões jurídicas e traduções oficiais antes de seguir para ratificação. A oposição de países como a França indica que o processo pode ser longo e sujeito a ajustes.
Enquanto isso, o tema segue no centro do debate político e econômico, com impactos potenciais relevantes para o comércio internacional.
Perguntas frequentes
O acordo UE-Mercosul já está valendo?
Não. Ele foi aprovado provisoriamente e ainda precisa ser ratificado.
Por que a França rejeita o acordo?
Produtores agrícolas temem concorrência com produtos do Mercosul.
O Brasil pode ganhar com o tratado?
Especialistas apontam que o país pode ampliar exportações e atrair investimentos.





