TST autoriza Correios a suspender pagamento de precatórios por 90 dias e parcelar dívida milionária

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) autorizou os Correios a suspender por 90 dias o pagamento de R$ 702 milhões em precatórios trabalhistas. A decisão, tomada nesta terça-feira (30), ocorre em meio ao processo de reestruturação financeira da estatal, que enfrenta uma crise prolongada e tenta evitar colapso em sua operação.

O acordo prevê que, após o período de carência, os valores serão parcelados em nove vezes e quitados até dezembro de 2026, obedecendo à ordem cronológica das sentenças. A medida impede que tribunais regionais bloqueiem bens da empresa ou antecipem cobranças.

Presidente do TST aponta risco de colapso

O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que o deferimento busca evitar prejuízos irreparáveis à estatal. Para ele, a preservação da atividade empresarial se justifica por sua função social, especialmente diante do risco de colapso financeiro que poderia afetar serviços essenciais prestados pelos Correios em todo o país.

A decisão também determina que nenhum credor poderá contestar judicialmente o novo cronograma de pagamento, mesmo que esteja envolvido em processos já transitados em julgado.

Estagnação, dívidas e plano emergencial

A crise dos Correios resulta de uma combinação de fatores: queda de receitas, aumento dos custos, falta de investimentos e o avanço da concorrência privada. Embora o crescimento do e-commerce tenha impulsionado a demanda, o volume não compensou os gargalos operacionais acumulados.

A estatal anunciou um plano de reestruturação dividido em três fases. A primeira envolve empréstimos de R$ 12 bilhões para garantir liquidez. A segunda prevê PDV para 15 mil funcionários e o fechamento de mil agências. A terceira fase, voltada à modernização, deve ocorrer até 2027.

Perguntas e respostas:

Por que o TST suspendeu o pagamento dos precatórios dos Correios?

Para evitar colapso financeiro e preservar a função social da empresa.

Como os Correios vão quitar a dívida?

Parcelarão em nove vezes, com início após carência de 90 dias.

Os credores podem recorrer da decisão?

Não. O TST proibiu contestações judiciais por parte dos credores.

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