O comerciante aposentado José Simões, de 79 anos, sentiu um incômodo no peito ao usar o cinto de segurança e, por isso, resolveu procurar um médico. A decisão rápida o salvou. Em 1993, ele recebeu o diagnóstico de câncer de mama uma doença rara entre homens, mas que exige a mesma atenção. Após passar por uma cirurgia para retirar a mama direita e enfrentar 40 sessões de radioterapia, José ouviu a notícia que mudou sua vida: estava curado. Desde então, ele dedica seu tempo a alertar outros homens sobre a importância de prestar atenção aos sinais do corpo e buscar ajuda médica sem demora.
O câncer de mama masculino ainda é pouco conhecido
Embora o câncer de mama masculino represente menos de 1% dos casos da doença no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele continua sendo um problema subestimado. Muitos homens, por desconhecimento, acreditam que estão imunes à doença e, por isso, demoram para procurar atendimento. Consequentemente, os diagnósticos acontecem em estágios mais avançados, o que reduz as chances de cura.
Além disso, como os sintomas aparecem de forma discreta nódulos, alterações no mamilo ou secreções, é comum que sejam ignorados. Portanto, compreender que o câncer de mama não é exclusivo das mulheres se torna um passo essencial para aumentar as chances de diagnóstico precoce e tratamento bem-sucedido.
O preconceito ainda impede o diagnóstico precoce
José precisou lidar não apenas com o tratamento, mas também com o preconceito. Em várias situações, ele ouviu comentários que tentavam minimizar sua condição, como se um homem com câncer de mama fosse uma raridade absurda. No entanto, ele transformou a dor em ação. Durante o Outubro Rosa, participou de uma campanha do São Paulo Futebol Clube, mostrando que a prevenção e o diálogo também pertencem ao universo masculino.
Além disso, ao compartilhar sua história, José desafiou o silêncio e ajudou a ampliar o debate sobre o tema. A atitude inspirou outros homens a quebrarem o tabu e procurarem ajuda. Afinal, quanto mais se fala sobre o assunto, mais vidas podem ser salvas.
Informação e prevenção: aliados na luta contra a doença
Hoje, José reforça que a informação é a principal arma contra o câncer de mama. Ele recomenda que todos os homens fiquem atentos a sinais como dor, nódulos ou secreção nos mamilos. Especialistas explicam que fatores como histórico familiar, mutações genéticas (como no gene BRCA2), obesidade e consumo de álcool elevam o risco de desenvolver a doença.
Embora não exista uma rotina de exames preventivos para homens, a observação atenta do corpo e a busca imediata por avaliação médica diante de qualquer alteração podem fazer toda a diferença. Assim como José, outros homens podem vencer a batalha contra o câncer desde que ajam cedo e não ignorem os sinais.
Perguntas frequentes
Sim. Apesar de raro, o câncer de mama atinge cerca de 1% dos homens diagnosticados com a doença no Brasil.
Porque, na maioria dos casos, eles não reconhecem os sintomas ou sentem vergonha de procurar ajuda médica.
Manter hábitos saudáveis, conhecer o histórico familiar e procurar um médico sempre que houver alterações no peito.






