Enquanto aproveitava um dia de sol na Praia do Campeche, em Florianópolis (SC), a advogada Carmen Fernandes vivenciou uma situação inesperada. De repente, um grupo de quatis cercou a barraca onde ela estava, farejou mochilas e bolsas, e revirou os objetos em busca de comida. Carmen filmou tudo e publicou o vídeo nas redes sociais, onde a cena rapidamente viralizou, dividindo opiniões entre internautas e especialistas.
Quatis pegando uma praia? Jovem é cercada por um bando em ilha de SC pic.twitter.com/QK5LCpjKT6
— Perrengue2 (@perrengue2025) July 23, 2025
Quatis se adaptaram à região e agora desafiam a biodiversidade local
Apesar de não serem nativos da Ilha de Santa Catarina, os quatis encontraram no litoral um ambiente favorável à sobrevivência e reprodução. Como resultado, esses animais passaram a circular com frequência por áreas urbanas e turísticas, principalmente nas praias mais movimentadas. Isso ocorreu, sobretudo, devido à presença constante de pessoas, ao descarte inadequado de lixo e à oferta acidental ou intencional de alimentos por parte dos visitantes.
Além disso, a reprodução descontrolada e a aproximação frequente dos animais com humanos vêm preocupando ambientalistas. Segundo especialistas, esse convívio forçado tem alterado os comportamentos naturais da espécie, que agora depende cada vez mais da alimentação humana. Esse processo, por sua vez, ameaça o equilíbrio da fauna nativa da região.
IPHAN alerta: alimentar os quatis representa um risco ao ecossistema
Por esse motivo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reforça que alimentar animais silvestres é uma prática altamente prejudicial. De acordo com o órgão, quando turistas oferecem comida a esses animais, eles não apenas perdem o instinto de sobrevivência, como também se tornam mais agressivos. Além disso, a ingestão de alimentos inadequados pode provocar doenças e problemas metabólicos graves.
Portanto, o IPHAN recomenda que banhistas não alimentem, não toquem e evitem qualquer tipo de interação com a fauna local. Isso inclui manter os alimentos bem armazenados e não deixar resíduos nas praias.
Encantamento nas redes esconde problema ambiental urgente
Apesar dos alertas, o vídeo publicado por Carmen despertou reações de encantamento. Muitos usuários chamaram os quatis de “fofos” e “inteligentes”, enquanto outros demonstraram preocupação com a presença crescente desses animais em locais públicos. No entanto, especialistas alertam que, embora a cena pareça divertida, ela reflete um desequilíbrio ambiental que exige atenção imediata.
Nesse contexto, organizações ambientais defendem ações permanentes de educação nas praias. Isso inclui sinalizações, campanhas de conscientização e ações de fiscalização, com o objetivo de proteger tanto os animais quanto os visitantes.
Perguntas frequentes
Não. Eles se adaptaram ao ambiente da ilha, mas não são naturais da região.
De forma alguma. O IPHAN recomenda que ninguém alimente animais silvestres.
O contato frequente pode provocar ataques, doenças e descontrole ecológico.



