O tenente-coronel Mauro Cid confirmou, nesta segunda-feira (14), que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve acesso e leu integralmente o documento que ficou conhecido como “minuta do golpe”, em 2022. O conteúdo do texto previa a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a anulação do processo eleitoral. Cid, que atuava como ajudante de ordens de Bolsonaro, também relatou que o então presidente sugeriu alterações no documento.
A declaração, feita no contexto de um acordo de delação premiada, acende novos alertas sobre a profundidade do envolvimento de Bolsonaro nos bastidores da tentativa de ruptura institucional. O processo agora entra em uma fase decisiva, com depoimentos de testemunhas previstas para ocorrer entre os dias 15 e 23 de julho.
Reuniões sigilosas e a figura do “jurista”
Segundo Mauro Cid, as reuniões em que o texto foi discutido contaram com a presença de Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência. Martins teria levado um jurista ainda não identificado para apresentar o documento pessoalmente a Bolsonaro.
Durante essas reuniões, o ex-presidente não apenas tomou conhecimento do conteúdo, como também fez sugestões de mudança. Essa informação pode ser um marco relevante na linha do tempo da investigação, que agora tenta comprovar a intenção deliberada de usar o texto como base para um golpe de Estado.
Documento previa medidas drásticas contra o STF
A minuta incluía medidas como prender ministros da Suprema Corte e usar as Forças Armadas para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Durante buscas autorizadas pelo STF, autoridades revelaram o documento, que já vinha sendo tratado com gravidade. Agora, a confirmação de que Bolsonaro leu e discutiu o documento com alterações pode mudar o rumo das acusações.
Investigadores agora buscam entender se o conteúdo foi levado adiante ou apenas permaneceu no campo das intenções. A delação de Cid amplia o alcance das apurações, colocando mais figuras próximas de Bolsonaro na linha de frente do processo.
O que esperar dos próximos dias
A partir desta terça-feira (15), o foco das investigações passa a ser os depoimentos das testemunhas de defesa dos réus envolvidos nos três núcleos do inquérito: militar, político e jurídico. Até o dia 23 de julho, novas revelações podem vir à tona e influenciar o desfecho judicial dos principais investigados.
Perguntas e respostas
Bolsonaro realmente leu a minuta do golpe?
Sim, segundo Mauro Cid, ele leu o documento e pediu alterações.
O que previa o texto?
Previa medidas como prisão de ministros do STF e intervenção militar.
Quem levou o documento até Bolsonaro?
Filipe Martins, ex-assessor, e um jurista ainda não identificado.



