Um médico do Pronto-Socorro Central de Praia Grande (SP) foi afastado após ser flagrado ingerindo vodka dentro do consultório, durante o expediente. A denúncia partiu de um paciente que, ao presenciar a cena, registrou o copo com a bebida em vídeo e alertou a equipe de segurança. A Polícia Militar foi acionada, contudo classificou o caso como “não criminal”. Apesar disso, a SPDM entidade que administra o hospital imediatamente afastou o profissional e designou outro médico para substituí-lo. Além disso, a prefeitura abriu uma apuração administrativa e notificou o Conselho Regional de Medicina (CRM).
Sobrecarga e silêncio: o colapso emocional por trás do jaleco
De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria, pelo menos 20% dos médicos brasileiros sofrem com sintomas de burnout. Ou seja, enfrentam níveis críticos de exaustão física e emocional. Diante desse cenário, muitos profissionais acabam recorrendo ao álcool como forma de escape mesmo que isso represente um risco para si e para os pacientes. Ainda que o consumo de bebida alcoólica em serviço seja inaceitável, o episódio em Praia Grande revela, antes de tudo, um alerta: quem cuida da saúde mental dos médicos?
Ausência de protocolos internos deixa brechas preocupantes
Ainda que o ato não tenha resultado em autuação criminal, o episódio evidencia uma falha institucional séria. Em tese, hospitais deveriam contar com mecanismos de fiscalização e prevenção para impedir esse tipo de conduta. No entanto, a falta de protocolos claros transforma deslizes individuais em ameaças à coletividade. Após a denúncia, o CRM-SP passou a acompanhar o caso, podendo aplicar penalidades que vão desde advertência até a cassação do registro profissional. Portanto, mais do que punir, é preciso revisar as práticas de controle nas unidades públicas.
Redes sociais expõem o que o sistema tenta esconder
O vídeo gravado pelo paciente circulou rapidamente pelas redes sociais e causou revolta em usuários do sistema de saúde. Como resultado, a confiança da população na segurança dos serviços prestados ficou ainda mais abalada. Além disso, o episódio reacende o debate sobre a transparência das instituições públicas. Quando falhas graves só recebem atenção após escândalos, o sentimento de abandono se intensifica. Por isso, especialistas defendem que a prevenção, e não apenas a reação, se torne a regra no atendimento público.
Perguntas frequentes
Sim. O acompanhamento contínuo pode prevenir colapsos.
O sistema de saúde se preocupa com o bem-estar de seus profissionais?
Com fiscalização ativa, apoio psicológico e cultura de cuidado interno.



