Empresários rurais retomaram, em Mato Grosso, o uso do “correntão”, um método de desmatamento que arrasta árvores, arbustos e animais sem distinção. Nesse processo, dois tratores puxam uma grossa corrente entre si e varrem tudo o que encontram pela frente, destruindo a vegetação nativa e matando a fauna que não consegue escapar. Considerada uma das técnicas mais agressivas, essa prática voltou a ser autorizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
Diante disso, ambientalistas e jornalistas denunciaram publicamente a decisão. Além do mais, o método impacta diretamente biomas sensíveis como o Cerrado e a Amazônia, dois dos mais ameaçados do país, que já enfrentam há décadas a pressão constante do avanço do agronegócio.
Jornalista denuncia e vídeos chocam nas redes sociais
O jornalista André Trigueiro denunciou o uso do correntão em suas redes sociais na última quarta-feira (23). Ele publicou vídeos e imagens que mostram o rastro de destruição deixado pela técnica. “Empresários conseguem derrubar até 10 campos de futebol por dia. Sem fogo, sem fumaça, os satélites não detectam o desmatamento. Animais morrem esmagados ou despencam das árvores”, alertou Trigueiro.
Além disso, o jornalista também destacou a fala do ambientalista Caetano Scannavino, que afirmou: “O correntão estava proibido, mas o governo de Mato Grosso voltou a autorizar.” Segundo ele, a Sema licenciou a área para substituir a vegetação nativa por monoculturas de eucalipto — uma prática que, por sua vez, levanta críticas por seus impactos hídricos e na biodiversidade local.
Empresas vendem desmatamento como serviço
Empresas do setor florestal passaram a oferecer o “correntão” como um serviço legalizado. Nesse contexto, Trigueiro compartilhou anúncios publicitários que promovem a técnica como “eficiente”, gerando forte indignação entre ambientalistas. “É inacreditável. Transformaram o desmatamento em produto de prateleira”, criticou o jornalista.
Por fim, esse cenário escancara uma falha grave na fiscalização ambiental e evidencia como o lucro imediato ainda dita as decisões sobre o uso da terra, mesmo em um estado que lidera a produção agropecuária nacional.
Perguntas frequentes
É uma técnica em que dois tratores puxam uma corrente de aço para derrubar árvores e vegetação nativa rapidamente.
A Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) liberou a técnica para áreas destinadas ao cultivo de eucalipto.
Sim. Muitos não conseguem fugir a tempo e são esmagados ou derrubados das árvores durante o processo.







