O governo federal decidiu zerar, desde 14 de março, o imposto de importação de nove categorias de alimentos, com a expectativa de conter a inflação que pressiona a cesta básica. Entre os itens beneficiados estão carne bovina congelada, café em grão e torrado (exceto em cápsulas), milho, azeite de oliva extravirgem, açúcar de cana, massas secas, bolachas, biscoitos e óleo de girassol.
Além disso, o governo autorizou uma cota de 7,5 mil toneladas para a sardinha com imposto zerado, e ampliou de 60 mil para 150 mil toneladas a cota do óleo de palma isento, com validade de 12 meses.
Contexto inflacionário pressiona e exige ação
Por trás dessa decisão está o avanço da inflação. De acordo com o IBGE, o IPCA de fevereiro subiu 1,31%, representando a maior variação para o mês desde 2003. O grupo “Alimentação e bebidas” cresceu 0,70%, ficando atrás apenas de “Educação” (4,70%) e “Habitação” (4,44%).
Dessa forma, o governo busca atenuar os impactos econômicos sobre os consumidores, principalmente os de baixa renda. Ainda assim, o real efeito da medida dependerá de como o mercado reagirá nas próximas semanas.
Especialistas destacam limitações e condições
Apesar da iniciativa, economistas observam que a redução de tributos, isoladamente, tem impacto limitado. Isso porque outros fatores continuam pressionando os preços, como logística, câmbio e clima. Por isso, é necessário que a isenção venha acompanhada de fiscalização e estímulos à produção interna.
Conforme afirmou o economista André Braz, da FGV/Ibre, “o corte ajuda, mas o governo precisa atuar em toda a cadeia de abastecimento para que o consumidor sinta a diferença no bolso”.
Balanço deve sair apenas em abril
Até o momento, o governo ainda não apresentou números concretos sobre os primeiros efeitos da isenção. No entanto, a equipe econômica promete divulgar em abril um levantamento com base nos dados de março, o que permitirá uma análise mais clara dos resultados.
Portanto, enquanto as medidas seguem em vigor, analistas e consumidores aguardam com cautela os desdobramentos. Caso haja recuo nos preços, o governo poderá manter ou até ampliar a política. Caso contrário, será necessário reavaliar a estratégia.
Perguntas frequentes
Desde 14 de março de 2024, o governo brasileiro zerou o imposto de importação de nove alimentos para tentar conter a inflação.
Depende. A isenção pode reduzir os custos de entrada dos produtos no país, mas o repasse para o consumidor não é automático.
O governo agiu em resposta ao aumento da inflação, especialmente nos alimentos, que subiram 0,70% em fevereiro, segundo o IBGE.



