Problemas de acessibilidade no transporte público paulistano
O transporte público de São Paulo enfrenta um problema antigo, mas ainda muito atual: a falta de acessibilidade em diversas estações. Embora a norma NBR 14021 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que estipula que o vão entre o trem e a plataforma não deve exceder 10 cm e o desnível não pode ultrapassar 8 cm, a realidade das plataformas das linhas de trem paulistanas revela um descaso preocupante.
Infraestrutura de plataformas de trem torna embarque de passageiros um desafio extremo; VEJA VÍDEO pic.twitter.com/7m0YSm6Ydg
— perrenguematogrosso (@perrenguemt) December 22, 2024
Estações como Aracaré, na Linha 12-Safira, e Vila Clarice, na Linha 7-Rubi, são exemplos emblemáticos de como a infraestrutura deixa a desejar. Em Aracaré, o desnível chega a assustadores 46 cm em alguns pontos, obrigando passageiros a saltar ou fazer esforços significativos para embarcar ou desembarcar. Já em Vila Clarice, a distância de 20 cm entre trem e plataforma e o piso deteriorado aumentam os riscos de acidentes.
Histórias de quem enfrenta o problema diariamente
A auxiliar de limpeza Erika de Abreu, que utiliza a Estação Aracaré com frequência, descreve sua experiência como “um horror”. Ela, como muitos outros passageiros, precisa literalmente pular do trem para a plataforma. O ajudante geral Júnior Nunes, usuário recente da mesma estação, reforça o medo constante de acidentes. “A gente olha e tem medo de que alguém caia ali. É fora do comum”, relata.
Contudo, em Vila Clarice, a situação não é muito diferente. Além do vão considerável, o piso rachado e cheio de buracos dificulta a locomoção, especialmente para pessoas com mobilidade reduzida. Uma “gambiarra” improvisada, na forma de uma estrutura metálica no primeiro vagão, tenta minimizar os impactos, mas não resolve o problema estrutural.
As consequências invisíveis para a acessibilidade
A falta de acessibilidade nas plataformas de trem vai além do desconforto. O descumprimento das normas da ABNT compromete a segurança dos passageiros, especialmente idosos, pessoas com deficiência e aqueles com mobilidade reduzida. O improviso, como as adaptações feitas em Vila Clarice, é um paliativo que não substitui soluções estruturais adequadas.
Especialistas alertam que a negligência pode resultar em acidentes graves, como quedas entre o vão ou dificuldades para evacuar em situações de emergência. Além disso, a ausência de acessibilidade reflete uma exclusão cotidiana de uma parcela significativa da população, limitando sua autonomia no transporte público.
Perguntas frequentes
O vão máximo permitido é de 10 cm, e o desnível não deve ultrapassar 8 cm.
A Estação Aracaré, na Linha 12-Safira, apresenta desníveis de até 46 cm, obrigando passageiros a saltar.
Até o momento, apenas soluções improvisadas, como estruturas metálicas, foram implementadas, sem uma reforma abrangente.






