A ocupação do Porto da Cargill, no baixo Tapajós, completa 27 dias com reforço na mobilização de povos indígenas da região. Sob o lema “Surara! Resistimos para existir”, lideranças afirmam que o movimento não busca negociar direitos, mas garantir o respeito às garantias já previstas na Constituição e em tratados internacionais. Nesta semana, novos grupos chegaram ao local para fortalecer a permanência e renovar as reivindicações.
Os manifestantes pedem a revogação do Decreto 12.600/2025 e o encerramento do Plano de Desestatização dos rios amazônicos. Segundo as lideranças, a principal preocupação envolve impactos sobre os territórios tradicionais e a ausência de consulta prévia, livre e informada.
O que está em jogo na ocupação
O Porto da Cargill integra a rota de escoamento de grãos pela região amazônica. Estruturas portuárias no Tapajós desempenham papel estratégico no transporte de soja e milho produzidos no Centro-Oeste. Com isso, o fluxo de embarcações aumentou nos últimos anos, impulsionado pela expansão do agronegócio.
Os povos indígenas do baixo Tapajós afirmam que o avanço logístico altera a dinâmica dos rios, interfere na pesca e afeta o modo de vida tradicional. Para as lideranças, decisões relacionadas à gestão e concessão de hidrovias precisam respeitar o direito à consulta previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
A memória de grandes obras na Amazônia
Durante a mobilização, manifestantes citaram a experiência da Usina de Belo Monte como exemplo de empreendimento que gerou impactos socioambientais duradouros. Para as comunidades, a história demonstra a importância de participação direta nos processos decisórios.
A referência reforça o argumento de que grandes projetos de infraestrutura na Amazônia costumam provocar mudanças profundas na vida das populações locais. Por isso, os indígenas defendem que qualquer iniciativa envolvendo rios amazônicos deve ocorrer com diálogo estruturado.
Resistência e permanência no território
A ocupação mantém estrutura organizada, com turnos de permanência e chegada de novos participantes. O lema “território é vida” sintetiza a pauta central do movimento. As lideranças afirmam que não aceitam transformar rios em corredores exclusivos do agronegócio enquanto comunidades seguem vulneráveis.
O grupo reforça que a consulta não representa concessão do Estado, mas obrigação legal. A mobilização continua sem previsão de encerramento, enquanto os manifestantes aguardam posicionamentos oficiais sobre as demandas apresentadas.
Perguntas frequentes:
O que motivou a ocupação?
A contestação ao Decreto 12.600/2025 e ao Plano de Desestatização dos rios amazônicos.
Onde ocorre o protesto?
No Porto da Cargill, na região do baixo Tapajós.
Qual é a principal reivindicação?
Garantir consulta prévia e respeito aos direitos territoriais indígenas.








