O ex-vice-presidente do Fortaleza e ex-presidente do Conselho de Administração da SAF do clube, Geraldo Luciano, abriu o jogo em entrevista ao programa “O Povo na Rádio”, da Rádio O Povo CBN, nesta terça-feira. Ele falou com franqueza sobre a adoção do modelo empresarial da SAF, os erros nas contratações e o processo de venda minoritária que não avançou como esperado. A entrevista revela tensões, escolhas e reflexões que nem sempre aparecem publicamente.
Como se decidiu o modelo empresarial da SAF
Geraldo Luciano contou que a escolha pelo modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) no Fortaleza foi conduzida com cautela. Segundo ele, o clube não pretendia “vender o clube” por completo, mas buscava converter sua estrutura para permitir participação minoritária de investidores. O executivo lembrou que foi apresentado aos conselheiros um plano de gestão moderno, com transparência, governança e objetivos de maior profissionalização. Embora o modelo estivesse aprovado internamente, Luciano reconhece que a execução teve falhas — e a oportunidade para venda, talvez, passou.
A venda que não se concretizou plenamente
Ao comentar o processo de venda minoritária para investidores, Luciano admitiu que “não chegamos ao valor que considerávamos adequado e recuamos”. Ele avaliou que o timing pode ter sido perdido: “Perdemos um grande momento? Talvez sim”. Para ele, o valor de um clube bem classificado e com presença internacional é muito diferente de outro em situação adversa, e escolher o momento certo para abrir participação foi um dos fatores mais críticos. A ausência de investidores dispostos a pagar o preço desejado levou a diretoria a recuar — decisão que agora é questionada.
Erros e dívidas: o lado difícil da modernização
Geraldo não se esquivou das críticas. Ele admitiu que o clube acumula uma dívida maior e que parte disso se deu por contratações que não cumpriram expectativas: “Esse ano, se formos avaliar, os erros foram muito maiores do que os acertos”. O executivo ainda destacou que gestão eficiente exige equilibrar riscos com resultados — e que o modelo SAF, por si só, não garante sucesso automático. A fase de conversão institucional coloca desafios de adaptação, governança e cultura organizacional que o clube ainda está enfrentando.
Por fim, Luciano defendeu que o Fortaleza precisa seguir focado, ajustar gargalos e, se necessário, retomar o processo de investimento externo com mais maturidade. A modernização do clube, sob o guarda-chuva da SAF, permanece na agenda — mas o caminho até um desempenho sustentável e duradouro ainda exige escolhas acertadas.
Perguntas rápidas & curiosas
P1: O que motivou o Fortaleza a adotar o modelo SAF?
R1: A busca por profissionalização, governança e abertura para participação de investidores.
P2: Por que a venda minoritária não foi concluída?
R2: Porque o valor ofertado não foi considerado adequado e o clube optou por recuar.
P3: O que Geraldo Luciano reconheceu como erro recente?
R3: Ele apontou que as contratações deste ano tiveram mais falhas do que acertos e que isso preocupa a gestão financeira.



