19 tentativas de assassinato: por que o líder de Burkina Faso é o homem mais visado da África

O presidente de Burkina Faso, Capitão Ibrahim Traoré, sobreviveu à sua 19ª tentativa de assassinato desde que assumiu o poder em 2022. O militar, que chegou ao governo por meio de um golpe, virou alvo constante de rivais internos e potências estrangeiras. Sua ousadia em cortar laços com a França, aproximar-se da Rússia e desafiar grupos jihadistas transformou-o em uma das figuras mais polêmicas — e perigosamente expostas — da África Ocidental. Mas o que explica tanta perseguição?

A guerra silenciosa contra a influência francesa

Traoré não esconde seu desprezo pelo colonialismo francês. Desde que rompeu acordos de segurança com a França e expulsou tropas estrangeiras, Burkina Faso mergulhou em uma crise geopolítica. A Rússia, por outro lado, ganhou espaço, enviando mercenários do Grupo Wagner e equipamentos militares. Para Paris, essa guinada é uma afronta. Para Moscou, uma oportunidade. Enquanto isso, Traoré paga o preço com atentados.

Jihadistas, generais traidores e a luta pelo poder

Além de inimigos externos, Traoré enfrenta ameaças dentro do próprio exército. Dissidentes militares, muitos ligados ao antigo governo pró-França, já tentaram derrubá-lo. Ao mesmo tempo, grupos terroristas como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico intensificaram ataques, aproveitando a instabilidade. A estratégia de Traoré tem sido radical: mais armas, menos diplomacia. Mas será que isso basta para manter-se vivo?

A aliança rebelde que está mudando a África ocidental

Burkina Faso, Mali e Níger formaram uma aliança militar para desafiar a influência ocidental na região. Juntos, os três países — todos governados por militares — buscam criar uma frente autônoma, com apoio russo. Se o plano der certo, o equilíbrio de poder na África pode mudar para sempre. Mas, para isso, Traoré precisa sobreviver.

Perguntas e Respostas

1. Por que a Rússia apoia Traoré?
Moscou vê nele um aliado para expandir sua influência na África, especialmente em regiões ricas em recursos naturais.

2. A França ainda tem poder em Burkina Faso?
Não como antes. Mas agentes franceses e aliados locais ainda operam nos bastidores, segundo relatos de inteligência.

3. Qual é o risco real de Traoré ser morto?
Alto. Com 19 tentativas em menos de dois anos, sua sorte pode se esgotar a qualquer momento.

Enquanto Burkina Faso vira um tabuleiro de xadrez geopolítico, Traoré segue um alvo móvel — um líder que desafia potências, mas cuja sobrevivência é uma incógnita. Se cair, toda a África Ocidental pode entrar em colapso. Se resistir, o continente nunca mais será o mesmo.

Fabíola Maria Costa Silva

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